Publicado em Opinião, Pensamento

Como o autoconhecimento melhora o ambiente de trabalho

O dicionário de forma resumida diz que o autoconhecimento é a prática de conhecer a si mesmo, suas características, inclinações e sentimentos.

Entendendo isso, a próxima questão é: Como me autoconhecer?

Pode ser que exista um certo medo em se autoconhecer e até uma certa preguiça.

Autoconhecimento exige tempo e quem é que tem tempo nos dias de hoje?

Todavia, não é estranho que nunca paremos para conhecermos a nós mesmos?

Será que se eu me conhecer melhor, não resolverei melhor questões que conflitem com o mundo externo?

E como isso facilitaria os meus dias no ambiente de trabalho?

Quantas perguntas, não?

E é ótimo ter mais perguntas do que respostas!

Talvez, muitas das respostas que temos, são justamente as que nos trazem conflitos.

Às vezes essas respostas tenham sido aprendidas de forma automática.

Crescemos ouvindo nossos parentes, amigos, mídia, professores nos ensinando sobre muitas coisas e nos dizendo o que fazer, como fazer e quando fazer.

Tememos investigar se eles tinham razão, tememos magoar as pessoas caso contrariemos seus ensinos.

Tememos ser excluídos se pensarmos sozinhos.

Esse é o ponto do autoconhecimento, é a coragem em realizar a jornada interior de questionar tudo o que foi aprendido, investigar as fontes que nos preencheram por tanto tempo, verificar se esse padrão é mesmo benéfico para nós.

Tememos também, nos confundir e piorar nossos problemas.

Por isso é importante ter coragem, calma e paciência, um passo por vez eliminará a ilusão de que pensar, argumentar, investigar pioram as coisas.

Sim, é uma ilusão e ultrapassar essa ilusão, nos fortalece a alma, com toda a certeza.

Mas, é muito mais profundo do que isso.

Autoconhecimento é uma investigação da nossa própria essência, dos valores que foram se impregnando em nosso ser a ponto de não serem mais facilmente diagnosticados, eles vão se misturando como uma sopa de letrinhas em nosso sub e inconsciente.

Somos bombardeados o tempo inteiro com diversas informações, passando os olhos em notícias, ouvindo as diversas opiniões e embates nas redes sociais, sendo inseridos em diversas hierarquias e camadas da sociedade, os rótulos por todos os lados e isso pode se tornar bastante confuso dentro de nós.

Menos é mais.

Isso mesmo, se você se encontra meio perdido, é um sinal de que precisa parar para se conhecer mais, com profundidade, ir mais alguns passos além da superfície e fazer isso a longo prazo.

Nada é do dia para noite, com a dedicação de se autoconhecer, novos padrões começam a se formar e o ideal é que você faça isso evitando opiniões externas, evitando intromissões.

Você com você. O caminho de despertar o autoconhecimento é um tanto solitário e zeloso, pois como a um bebê, você deve cuidar dia-a-dia com carinho e atenção.

Pode ser cansativo sob um ponto de vista, porque estar lúcido, desperto, é cansativo inicialmente, pela falta de costume em estar realmente no controle, retomar as rédeas requer tempo e dedicação.

O autoconhecimento trás maior inteligência emocional e isso beneficia a maneira como lidamos com as pessoas ao nosso redor, incluindo no ambiente de trabalho.

Se você é mais retraído no ambiente de trabalho, vai entender o por quê age dessa maneira, se você enxerga o mundo ultra colorido ou mais acinzentado, vai entender o por quê enxerga assim.

Se você se irrita com facilidade com as pessoas do seu trabalho, se tem dificuldade em dividir conhecimentos, se você se ofende ou se magoa com facilidade com os colegas de trabalho, se existe alguma dor, alguma mágoa, alguma revolta, o autoconhecimento, com certeza ajudará a encontrar os argumentos que posteriormente te levarão ao poder de encontrar soluções.

Essas soluções não farão os conflitos sumir como mágica, a solução será cuidar de cada gatilho que o faz sentir-se de x e y maneira, dissolver formas de pensar que o levam a uma certa autodestruição, utilizar novos princípios morais e éticos, substituir ideias negativas ou distorcidas sobre você e sobre o outro.

A ideia é conseguir conviver com maior harmonia com as diferenças e dificuldades do mundo, entendendo mais a complexidade interna, entendemos melhor a complexidade externa.

É importante sair do automático e entender até por que temos medo de nos conhecermos, evitamos investigar certas questões e ficamos na zona de conforto.

Por que você fica na zona de conforto se isso não te faz feliz?

As argumentações levarão em algum lugar, sempre e trarão aprendizados com certeza.

Por que você acha o outro colega de trabalho melhor que você?

Por que você acha fulana antipática, ela é realmente antipática?

O que é ser antipático? Será que é real?

O que faz uma pessoa melhor que a outra? Isso existe realmente?

Quem impôs, quem inventou certos rótulos?

Eles fazem bem?

Dinheiro é tudo?

Saúde é realmente mais importante?

Eu sou legal quando estou com dificuldades na mesma proporção de quando eu estou por cima da situação?

Eu divido momentos bons, eu inspiro paz, meu silêncio é sábio, minhas palavras carregam qual energia?

Com calma, paciência e dedicação, o autoconhecimento ajuda a cuidar das feridas da alma, de compreender os próprios gatilhos emocionais, porque supervaloriza e rejeita certas pessoas, lugares e questões, quão lapidado é meu caráter com boas escolhas morais e éticas e o quanto eu me preocupo com isso?

Eu sou uma gota benéfica ou maligna no oceano?

Existe uma receita para se autoconhecer?

Não.

Existe a boa vontade e criatividade para questionar os motivos aos quais agimos de certa maneira, como melhorar, como trazer mais qualidade, como evitar confrontos desnecessários, quando ter coragem de expor os pensamentos, como avaliar com maior profundidade as coisas ao nosso redor.

Você passa a entender e separar melhor os valores morais e éticos, você entende melhor os seus medos, você pensa sobre equilíbrio, sobre evolução, você pesquisa filósofos, cientistas, religiosos, professores, pensadores e não aceita mais tudo de cara, absorve aos poucos, de cada um o que pensa ser bonito, sincero e elevado para atuar de maneira melhor em sua vida pessoal e na sociedade.

Se torna alguém mais crítico e eu não disse agressivo, pelo contrário.

Podemos ter uma opinião muito bem fundamentada, profunda e não precisarmos dividirmos necessariamente com todos em todos os momentos, alcançamos até mesmo a sabedoria em escolher o tom e as palavras, como também aprendemos a analisar se o próximo está pronto para ouvir o que temos a dizer e então conseguimos saber o momento de silenciar.

Sim, o autoconhecimento também ajuda a deixarmos de expor e impor tanto o que achamos ser certo, nos focamos mais em nos lapidarmos e agirmos de maneira melhor.

Pode ser imperceptível para muitos, mas você percebe a grandiosidade do que está fazendo por si e como suas ações valorizam mais as coisas nobres da vida, da natureza e do mundo.

Com certeza aos poucos sentirá os efeitos consigo mesmo.

O grande objetivo do autoconhecimento, penso que não seja pros outros, mas primeiramente para si mesmo, não envolve ego e vaidade, pelo contrário, requer o equilíbrio sobre eles, com simplicidade e amor.

Eu poderia dar muitas fontes e tendências sobre o assunto, mas preferi dizer de maneira pessoal, o que aprendi com autoconhecimento, o que entendi sobre me dar um tempo, me conhecer com mais calma, retirar os automatismos, questionar a possibilidade de estar enganada sobre muitas questões e ter a coragem de alterar as rotas e direções.

Aprendi a me respeitar mais, me ouvir, me amar sem esperar retórica.

Isso me forçou a viver a vida externa diferente, lidar diferente com a variedade de pessoas, incluindo as do trabalho, refinar minhas buscas e pesquisas, modificar o tempo que disponibilizo para atividades supérfluas, não me entregar totalmente as rotinas do mundo, questionar meus vícios, a maneira como lido com redes sociais, internet, meu posicionamento profissional, minha postura no trabalho, o quanto paro para ouvir de verdade as pessoas ao meu redor e até mesmo a maneira como trato meus pets.

Percebi que eu não encontraria soluções boas, se não parasse para realmente me entender, percebi que eu teria que tirar sempre um tempo para rever o que eu entendia sobre mim, ser profunda nas análises sobre o meu eu e lidar com os possíveis e recorrentes enganos.

Sim, as soluções chegam, devagarinho e começa com a vontade em resolver, começa com os pequenos esforços, de trocar lazeres vazios por momentos de imersão dentro de si.

Como você vai resolver um problema que desconhece? Que não parou direito para olhar, observar, diagnosticar?

Um bom médico encontra a cura, principalmente pelo seu interesse real em investigar todos os ângulos que acometem a doença.

E veio a pergunta: O quão lúcida você está sobre a sua própria vida?

Me pergunto frequentemente.

Até a próxima.

Autor:

Cultivo o caminho da escrita, como redatora, copywriter e quem sabe um dia escritora de livros? Gosto de música, poesia, tecnologia, informação e o futuro em breve me mostrará se tenho um pé na educação. Moro com três gatos e me considero sortuda por isso. Tenho alma cigana: Pés no chão, cabeça nas nuvens.

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